13° CBA começa com valorização dos territórios e apelo por justiça climática

A Conferência de Abertura lotou a Tenda Catingueira, na Univasf de Juazeiro. Foto: Manuela Cavadas/CBA

O 13° CBA foi oficialmente aberto nesta quarta-feira (15), a partir da Mesa Institucional e Conferência de Abertura. Com o lema “Agroecologia, Convivência com os Territórios Brasileiros e Justiça Climática”, o evento  reúne pessoas da agricultura, da pesquisa, de comunidades tradicionais, estudantes, figuras políticas e interessadas no assunto, para debater soluções para a crise climática a partir da agroecologia, com a valorização das culturas e das experiências populares.

Celebrando 22 anos desde a sua primeira edição, o CBA se ancora desta vez na beira do Rio Opará, grande Rio São Francisco, e é realizado pela primeira vez no Semiárido, tendo o campus da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), em Juazeiro (BA), como marco zero do encontro.

“Que os encantos e saberes dos territórios do São Francisco sejam inspiração para a culminância da construção coletiva de conhecimentos”, destaca o professor Helder Freitas, da Univasf, durante a leitura pública da Carta de Acolhida.

A diversidade encontra-se no CBA. Foto: Manuela Cavadas/CBA

A importância das diversas representações presentes e atuantes no evento também foi ressaltada pelo coordenador do Programa Bahia Sem Fome, do Governo do Estado da Bahia, Tiago Pereira, que representou o governador Jerônimo Rodrigues na ocasião.
“Quero cumprimentar todas as delegações que se fazem presentes na 13ª edição do CBA. Os povos dos campos, os povos das águas, os povos das florestas. Mas também quero cumprimentar as ONGs, as prestadoras de serviço de ATER, os nossos fortes movimentos sociais, MST, MPA, Rede Povos da Mata e tantos outros que muito nos representam”, disse o coordenador.

A gerente da Secretaria Nacional de Segurança Alimentar do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), Márcia Muchagata, também fez referência aos múltiplos agentes envolvidos na construção de uma agroecologia popular, apontando a necessidade de buscar conquistas que atendam a toda a população: “juntos, podemos realmente garantir a segurança alimentar e a comida saudável na mesa de todo mundo.”

Juazeiro, a capital da agroecologia no Brasil

Mesa de Abertura do 13º CBA tem manifestações culturais locais. Foto: Karen Lima/CBA

O reconhecimento das organizações populares e da força do território-sede desta edição foi um fio comum entre as falas de abertura. A vice-presidente da Associação Brasileira de Agroecologia (ABA-Agroecologia), Natália Almeida,  reforça a importância dessa representatividade para o CBA, que conta com mais de 47 etnias de povos indígenas”enquanto a gente está aqui, a cidade está sabendo que democracia forte é o Brasil com agroecologia. Hoje, Juazeiro se tornou a capital da agroecologia do Brasil.”

A mesa institucional de abertura contou também com a presença do reitor da Univasf, Télio Leite; do dirigente da Articulação Semiárido Brasileiro (ASA), Cícero Félix; da gerente do Departamento de Inclusão Produtiva do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Raquel Zanon; do representante da Universidade do Estado da Bahia (UNEB), Gilmar dos Santos Andrade; da coordenadora do Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada (IRPAA), Nívea Rocha; do prefeito do município de Juazeiro, Andrei Gonçalves; da primeira-dama do município de Juazeiro, Luciana Gonçalves; da primeira-dama do Estado da Bahia, a professora Tatiane Veloso; da coordenadora do Serviço de Assessoria a Organizações Populares Rurais (SASOP), Márcia Muniz; do diretor executivo de Pesquisa e Inovação da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Clenio Nailto Pillon; do dirigente do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), Leomárcio Araújo; do presidente da Fundação Banco do Brasil, Kleytton Guimarães; do presidente da Rede de Agroecologia Povos da Mata, Hércules Andrade; do coordenador do Programa Bahia Sem Fome, do Governo do Estado da Bahia, Tiago Pereira, representando o governador Jerônimo Rodrigues; da secretária de Educação do Estado da Bahia, Rowenna Brito; do diretor executivo da Diretoria de Política Agrícola e Informações da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Sílvio Porto; do vice-presidente de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde da Fiocruz, Valcler Rangel; do dirigente do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), Evanildo Costa; do coordenador-geral de Atividades Produtivas da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), Jefferson Fernandes do Nascimento; do secretário de Agricultura Familiar e Agroecologia do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), Vanderley Zíger; do especialista de Gestão de Projetos do IICA Brasil, Caio Ribeiro; do diretor-país do FIDA no Brasil, Arnoud Hameleers; do deputado federal Padre João (PT-MG); da deputada estadual Dani Portela (PSOL-PE) e do vice-presidente da Associação Brasileira de Agroecologia (ABA-Agroecologia), Natália Almeida.

Conferência de abertura

Autoridades políticas e realizadores do 13º CBA celebram a abertura do Congresso, em 15 de outubro, na cidade de Juazeiro da Bahia. Foto: Manuela Cavadas/CBA

Na sequência, aconteceu a Conferência de Abertura, com a participação de José Augusto de Pádua, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Neidson Baptista, representante da Articulação Semiárido Brasileiro (ASA), e Elisa Pankararu, ativista e pesquisadora indígena.

Neste momento, os temas centrais relacionados ao lema do CBA começaram a ser discutidos, como a importância da agroecologia para a justiça climática, enfrentamento de questões como a concentração de terras, a valorização de saberes tradicionais e o reconhecimento e a demarcação das terras indígenas.

José Augusto de Pádua explicou que “a questão da concentração de terras e suas consequências se espalham por todo o território e contrastam com a verdadeira conexão com a natureza estabelecida pelo povo brasileiro, e não pelas elites”.

Neidson Baptista também abordou essa discussão, relacionando-a com o contexto do Semiárido. De acordo com ele, é possível enxergar o bioma a partir de uma outra visão, que não seja caracterizando-o pela concentração de poder, pela terra rachada e pela luta contra a seca. O Semiárido, entretanto, conta com experiências populares de sucesso, realizadas a partir das comunidades, de agricultoras e agricultores, e com o protagonismo e a valorização das mulheres.

Autoridades políticas e realizadores do 13º CBA celebram a abertura do Congresso, em 15 de outubro, na cidade de Juazeiro da Bahia. Foto: Manuela Cavadas/CBA

Durante a Conferência também foram ressaltadas a importância de políticas públicas voltadas ao povo. Um exemplo que foi celebrado foi o programa “Uma Terra e Duas Águas”, como uma forma de garantir acesso à terra e à água pelas famílias.

A partir destas reflexões, Elisa Pankararu discorreu sobre a importância da agroecologia e sua interdisciplinaridade enquanto ciência.

“Quando nós chamamos a agroecologia de ciência, fico pensando que a agroecologia não é apenas uma ciência, mas um conjunto de ciências”, apontou Elisa.

Ela ainda destacou que estas múltiplas conexões também podem ser observadas no próprio Semiárido em relação a outros biomas.

“Para a mãe natureza, não existe divisão do IBGE. Para a mãe natureza o bioma Caatinga comunga com os outros biomas”, ressaltou Elisa Pankararu.

Sobre o Congresso Brasileiro de Agroecologia

Alegria! O Congresso Brasileiro de Agroecologia começou! Foto: Manuela Cavadas/CBA

Realizado a cada dois anos desde 2003, o Congresso Brasileiro de Agroecologia (CBA) é construído por uma ampla frente de parceiros nacionais e internacionais, configurando-se como o maior encontro latinoamericano de agroecologia.

Mais que um espaço de fortalecimento da agroecologia como ciência, o CBA é um território de diálogo entre diferentes formas de conhecimento, proporcionando legados agroecológicos em todos os territórios por onde ele passa.

Nesta 13ª edição, em Juazeiro (BA), o CBA é realizado pela Associação Brasileira de Agroecologia (ABA), com organização local da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), do Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada (Irpaa), do Serviço de Assessoria a Organizações Populares (Sasop), da Articulação Semiárido Brasileiro (ASA), da Universidade do Estado da Bahia (Uneb de Juazeiro), do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), do Movimento dos Pequenos e Pequenas Agricultoras (MPA), da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sertão Pernambucano (IFSertãoPE) e Rede de Agroecologia Povos da Mata.

O Congresso conta com patrocínio da Fundação Banco do Brasil e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e apoio do Governo Federal por meio dos Ministérios da Saúde, Igualdade Racial, Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, e Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e FioTec, e Prefeitura Municipal de Juazeiro; e Governo do Estado da Bahia, por meio do Programa Bahia sem Fome e Bahia Turismo.

Conta também com a contribuição de representantes de diversas organizações, redes e articulações da sociedade civil, instituições de ensino, movimentos sociais populares e comunidades tradicionais.

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