
A programação da Tenda de Saúde, Cuidado e Cura Mães Filinha e Ciana está no ar! O espaço dedicado à saúde e agroecologia vai funcionar ao lado do Espaço Umbuzeiro Multieventos, dentro do campus Juazeiro da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), entre os dias 15 e 18 de outubro.
A Univasf é o marco zero do 13º Congresso Brasileiro de Agroecologia, o CBA, que acontece também entre os dias 15 e 18 de outubro, em vários espaços diferentes da cidade de Juazeiro na Bahia, e que pela primeira vez chega ao Semiárido trazendo uma ciência pública e cidadã comprometida com a construção dos territórios agroecológicos.
As homenageadas da Tenda da Saúde, Cuidado e Cura do 13º CBA
Mãe Filinha de Oxum
Maria Jovelina dos Santos, carinhosamente conhecida como Mãe Filinha de Oxum, nascida em 5 de junho de 1921 em São Raimundo Nonato (PI), chega em Juazeiro (BA) no início da década de 40. Acolheu como seus Lourdes e José, os filhos do casal Mazinho e Vilma Maria.
Após 21 dias de sua “recolhida”, renasce no dia 08 de maio de 1952, como Mona Aimê Itauêmim D’Unzanbe. Mãe Filinha recebeu de seu pai de santo o Babalorixá Henrique, sua peneira (os direitos de yalorixá) pelas ordens de Ogum. Fez aproximadamente 200 filhos de santo entre Juazeiro e cidades circunvizinhas. O marco da sua caminhada fez-se de entrega, seriedade e simplicidade, firmando um legado de saber ancestral de grande relevância para construção histórica do bairro do Kidé.*
Mãe Ciana
Ana de Santana Dias, também conhecida como Sinhá Ana ou Mãe Ciana, nasceu em 16 de outubro de 1947, na fazenda Coripós, em Santa Maria da Boa Vista (PE), amparada pelos cuidados da parteira Helena, a Mãe Láiá. Desde cedo, trabalhou na lavoura para ajudar no sustento da família. Aos 21 anos, casou-se com Pedro Dias dos Reis e teve 13 filhos. Tragicamente, um de seus filhos, Domingo Sávio, faleceu aos 13 anos de idade, vítima da picada de uma cobra cascavel.
Mãe Ciana já mostrava indícios de sua mediunidade muito antes de ter contato com a religiosidade que teceria seu destino. Os mais antigos contam que ela teria chorado ainda na barriga de sua mãe, sob a sombra de um centenário tamarineiro, às margens do Rio São Francisco — árvore preservada até hoje. Em Petrolina (PE) encontrou a Mãe Socorro de Ogun, iniciando-se para Iemanjá no ano de 1971. Como seu caminho era o sacerdócio, construiu o barracão de palha às margens do São Francisco, na fazenda Coripós. Passaram e ainda passam por seus cuidados mais de 60 filhos de santo, e a casa encontra-se em plena função até os dias atuais. A Iyalorisá já está chegando aos 80 anos e conta com o apoio do Babakekerê Igor de Ogun, seu neto mais velho, dando suporte e continuidade a esse legado cheio de histórias de superação, sofrimento e alegria do Ilê Asé Yemanjá.
*Trechos retirados do livro Memórias do povo de terreiro: histórias da religiosidade de matriz africana no município de Juazeiro (BA), de Ioná Pereira da Silva.
Mães Filhinha e Ciana são Mães de Umbigo
Na cultura popular brasileira, especialmente em territórios quilombolas, as Mães de Umbigo são parteiras tradicionais que trabalham para além da assistência do momento do nascimento de uma criança e de uma mãe: as Mães de Umbigo desempenham diversos papeis voltados a promover saúde e Bem Viver em suas comunidades.
Sendo assim, Mãe de Umbigo abraça a diversidade religiosa, espiritual, práticas de cuidado e de cura. Para a comissão organizadora da Tenda da Saúde deste 13º CBA, a Mãe de Umbigo é o princípio de tudo, a mãe de todas as artes! A grande parteira de todas as formas de viver! Uma guardiã ancestral, a manifestação do cuidado e do amor que dão luz à vida em sua forma mais plena. Esse termo profundo nos remete à figura que, com a sabedoria das mãos e do coração, não apenas assiste ao parto, maneja, “pare a vida” em sua essência mais ampla.
O ofício da Mãe de Umbigo transcende qualquer outro, pois ele nutre a vida desde sua origem, fortalece os laços que nos unem e perpetua o legado do amor e do cuidado. Ela é a mãe de todas as mães, aquela que nos lembra que a vida é um dom, e que a maior arte é a de nutrir e proteger a todos que estão em sua teia.
Assim, para materializar esse “Ser de Luz” e de bondade, a Tenda de Saúde, Cuidado e Cura desta edição do 13º CBA homenageia duas mulheres, Mãe Filinha e Mãe Ciana, que nos seus territórios, com muita luta e sabedorias de conhecimentos e escrevivências, nutrem a teia da vida e do esperançar.
Programação da Tenda da Saúde, Cuidado e Cura Mães Filinha e Ciana
Dia 15/10 – quarta-feira
16h30 – Roda de conversa: A saúde dos Povos de Terreiro e Quilombolas – Sônia Ribeiro e Ioná Pereira
17h30 – Mística de abertura da Tenda – Povos de Terreiro e Povos Tradicionais
Dia 16/10 – quinta-feira
08h30 – Acolhimento e marcação dos atendimentos
9h – Início dos atendimentos com práticas terapêuticas e de cuidados
9h – Como a prática de Yoga pode contribuir com a consolidação do conhecimento da área ambiental? – Sofia Correia – Petrolina/PE | obs.: Os praticantes devem levar seu próprio tapete ou cangas para prática.
12h30 – Encerram-se os atendimentos
12h30 às 14h – A tenda estará fechada para almoço
14h – Oficina: Alinhamento de Coluna por método popular – Walmir de Oliveira (Seu Vavá – MST)
16h – Roda de diálogo: Muvúka: “Agroecologia e saúde mental na experiência da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) – Nathália Mesquita (Secretaria de Agricultura Urbana/Prefeitura do Recife); Bárbara Cabral (Psicologia/Univasf); Naíde Teodósio (CAAPS – Fiocruz/PE)
Dia 17/10 – sexta-feira
8h30 – Acolhimento e marcação dos atendimentos
9h – Início dos atendimentos com práticas terapêuticas e de cuidados
12h30 – Encerram-se os atendimentos
12h30 às 14h – A tenda estará fechada para almoço
14h – Oficina: Já tomou um chá? Memórias afetivas do uso das plantas medicinais – Crisângela Elen (GT de Saúde da ABA/ Auê/ Bilongaria)
15h – Decolonialidade do cuidado: uma ciranda de saberes, um manifesto pela vida! – Maria Eduarda Spencer (Rede Nacional de Médicos e Médicas Populares) e Joelson Santos (MST/Rede Nacional de Médicos e Médicas Populares)
16h – Roda de raizeiras: Agroecologia, Saberes da Caatinga e Bioeconomia – Ilaíde Carvalho (Encontro de Saberes da Caatinga); Ariane Medeiros (Encontro Saberes da Caatinga); Silvanete Benedito (Agrodóia/Encontro de Saberes da Caatinga); Socorro Soares (Fiocruz Brasília).
Dia 18/10 – sábado
8h30 – Acolhimento e marcação dos atendimentos
9h– Início dos atendimentos com práticas terapêuticas e de cuidados
10h – VIVÊNCIA: “Corpo-Terra: Reconexão e Pertencimento” – Janaína Rocha (Espaço Integrar – Petrolina/PE)
12h30 – Encerram-se os atendimentos
12h30 às 14h – A tenda estará fechada para almoço
14h – Mística de encerramento da Tenda