
Entre cores, músicas e sementes crioulas, um espaço de afeto e aprendizado se prepara para florescer no 13º Congresso Brasileiro de Agroecologia (CBA). É a Ciranda Infantil Ana Primavesi, um dos espaços do Congresso, que neste ano acontece entre os dias 15 e 18 de outubro de 2025, no campus da Univasf, em Juazeiro (BA).
Mais do que um espaço de cuidado, a Ciranda é um território político-pedagógico. Neste ambiente, crianças de 0 a 12 anos têm a oportunidade de brincar, aprender e expressar-se em atividades que misturam arte, cultura popular, agroecologia e natureza. Oficinas de sementes crioulas, contação de histórias, jogos cooperativos e vivências com a Caatinga fazem parte da programação.
A Ciranda leva o nome de Ana Primavesi, agrônoma austríaca naturalizada brasileira, considerada uma das mais importantes referências mundiais em agroecologia e no cuidado com o solo. Ao homenageá-la, o espaço reafirma a importância de semear desde cedo uma relação de respeito e coevolução com a natureza, inspirando as crianças a se tornarem protagonistas na construção de uma sociedade mais justa e ambientalmente consciente.
O que é a Ciranda Infantil Ana Primavesi?
Para Tânia Silva, integrante da comissão organizadora da Ciranda, a proposta vai além de acolher: “é preciso que as crianças não sejam apenas cuidadas, mas que participem ativamente na construção das mudanças que precisamos. A agroecologia começa nas infâncias e a Ciranda é um espaço para que elas se reconheçam como agentes de transformação em prol de uma sociedade mais justa.”
Essa dimensão aparece também na fala da cirandeira Kriscia Santos, que vive a Ciranda tanto como militante quanto como mãe. Ela destaca que a Ciranda simboliza um convite à infância em seu lugar de direito. “Só defende o território quem nele vive e quem o conhece, e esse pertencimento precisa começar na infância, que é lugar de encantamento pela vida, de contato com a natureza, do brincar livremente, de se constituir enquanto ser humano que é parte desse planeta”, explica.
Para Kriscia, a Ciranda não é apenas um espaço de cuidado, mas também de formação política, que ecoa nas lutas sociais populares e reafirma a vida como centro da agroecologia. “Um outro mundo possível já está sendo construído, apesar dos pesares, em coevolução com a natureza. A Ciranda tem essa missão de nos reencantar pela vida e pela luta”, argumenta.
O trabalho das cirandas em eventos agroecológicos tem histórico de fortalecimento coletivo, inspirando-se em experiências internacionais, como o Circo dos Infantis em Cuba, e nas práticas do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) no Brasil. Esses espaços reafirmam a presença das crianças nos debates sociais e ambientais, permitindo que infâncias e territórios se encontrem, e que o cuidado e a luta caminhem juntos.
Inscreva a sua proposta para as oficinas da Ciranda

A Comissão da Ciranda Infantil abre o processo de submissão de propostas para oficinas voltadas às crianças, a serem realizadas durante o evento. O objetivo é promover momentos lúdicos que reforcem a concepção das crianças como sujeitos sociais ativos e protagonistas de suas vidas e também da vida social coletiva.
As propostas serão avaliadas com base nos seguintes critérios:
- Compatibilidade com os horários da programação da Ciranda;
- Relação com a temática central do Congresso;
- Ordem de inscrição.
As inscrições para as oficinas da Ciranda Infantil Ana Primavesi estão abertas até 15 de setembro e devem ser realizadas por meio do formulário. Clique aqui para acessar e se inscrever.
Como inscrever crianças na Ciranda Infantil

A participação infantil será por meio de inscrição prévia. Para garantir sua vaga, clique aqui e preencha o formulário. O prazo de inscrição das crianças vai até 26 de setembro de 2025. As atividades serão registradas com fotos, vídeos e produções das próprias crianças, mediante autorização das famílias, garantindo memória, protagonismo e segurança para todas as pessoas.
Com capacidade para 100 crianças e uma equipe de cerca de 80 pessoas, entre educadoras, monitoras e oficineiras, a Ciranda é organizada por uma comissão interinstitucional que reúne universidades, movimentos sociais e entidades, como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), o Movimento dos Pequenos e Pequenas Agricultoras (MPA), o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), o Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada (Irpaa) e a Secretaria Municipal da Mulher e Juventude de Juazeiro.
A Ciranda também se constitui como uma rede de apoio para as famílias, especialmente para as mulheres que participam ativamente do Congresso. Saber que seus filhos e filhas estão em um ambiente seguro, acolhedor e politicamente comprometido, permite que mães possam se engajar plenamente nas discussões do 13ª CBA, fortalecendo a participação feminina nos eventos de agroecologia.
Ao final, a infância aparece como um território de potência e mudança: cada criança que passa pela Ciranda leva consigo não apenas brincadeiras e aprendizados, mas a experiência de estar em comunhão com vivências com a natureza, a cultura e a comunidade. E, assim, a Ciranda Infantil Ana Primavesi reafirma que cultivar infâncias é semear futuros, onde cuidado, agroecologia e justiça caminham juntos.
Sobre o 13º Congresso Brasileiro de Agroecologia (CBA)
A 13ª edição do CBA acontecerá em Juazeiro, na Bahia, às margens do rio São Francisco, entre os dias 15 e 18 de outubro. O evento tem como lema “Agroecologia, Convivência com os Territórios Brasileiros e Justiça Climática”.
A organização do congresso é realizada pela Associação Brasileira de Agroecologia (ABA-Agroecologia), com organização local da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), do Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada (Irpaa), do Serviço de Assessoria a Organizações Populares (Sasop), da Articulação Semiárido Brasileiro (ASA), da Universidade do Estado da Bahia (Uneb de Juazeiro), do MST, do MPA, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), e do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sertão Pernambucano (IFSertãoPE). Conta também com a contribuição de representantes de diversas organizações, redes e articulações da sociedade civil, instituições de ensino, movimentos sociais populares, poder público e comunidades tradicionais.
Produção: Meiwa Magalhães
Fotos: Isis Medeiros/12° CBA
Repórter: Cibelle Vieira
Universidade do Estado da Bahia (Uneb)