
A Ciranda Infantil Ana Primavesi no 13° Congresso Brasileiro de Agroecologia (CBA), em Juazeiro (BA), é um espaço destinado ao afeto e aprendizado. Reconhecendo a presença das crianças como parte do Congresso, a Ciranda atende crianças de 0 a 12 anos com programação pautada nos valores da agroecologia.
Nomeada em homenagem à engenheira agrônoma, pesquisadora e professora austríaca naturalizada brasileira, Ana Primavesi, grande referência mundial na agroecologia e cuidado com o solo, a Ciranda Infantil é um ambiente seguro e de estímulo às crianças através do brincar, se expressar e aprender.
A coordenação da comissão foi compartilhada pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), representado pelas militantes Marcia Ramos e Socorro Varela, pelo Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), representado por Kriscia Argolo, e pelas Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf) e Universidade do Estado da Bahia (Uneb), representadas pela pedagoga da Universidade Federal do Vale de São Francisco (Univasf) e doutora em Agroecologia e Desenvolvimento Territorial (Uneb), Tânia Silva, e colaboração do GT Infâncias da Associação Brasileira de Agroecologia (ABA-Agroecologia). Ela fez parte da construção e do planejamento da Ciranda para acolher as crianças que acompanham as famílias participantes do Congresso.
Com capacidade para receber até 100 crianças, a estrutura contou com uma educadora para cada bebê, e a gestão em grupos das crianças com atividades adequadas a todas as faixas etárias.
A programação foi selecionada através da mobilização de movimentos de todo o país, que se inscreveram para participar deste momento, além da articulação com projetos de extensão das universidades públicas envolvidas na organização, ativistas ambientais locais, setores públicos locais, a exemplo da Secretaria de Meio Ambiente de Juazeiro (BA), a parceria com a Conto de Fadas de Petrolina (PE), que fez a cessão de brinquedos para os bebês, e o projeto social Roda do Saber.
A Ciranda começou antes do CBA

As educadoras e educadores passaram por processos formativos com temas sobre infância, agroecologia, gênero, consciência sobre o clima e educação ambiental. Segundo Tânia, o pensamento agroecológico dentro da Ciranda Infantil é desenvolvido buscando o contato com os elementos da natureza. As monitoras, monitores e estudantes das universidades envolvidas na organização que atuaram na Ciranda, também receberam orientações sobre o desenvolvimento das atividades e acompanhamento das crianças.
“No primeiro dia tivemos o plantio de sementes, o contato com a terra, oficinas de construção de esculturas de animais da Caatinga. O desenho foi uma de nossas ferramentas de sensibilização para a convivência das pessoas com os territórios, buscando o cuidado com os bens naturais. Trouxemos as temáticas da agroecologia através da música e das histórias lúdicas.”
Na manhã de quinta-feira (17) ocorreu o Cortejo da Ciranda Infantil Ana Primavesi pelo espaço do Congresso Brasileiro de Agroecologia na Univasf. No trajeto, as crianças exibiram seus bambolês cheios de adornos e cantaram canções neste momento de reconhecimento e ocupação dos espaços do Congresso.
As educadoras, os educadores, integrantes da comissão organizadora, monitoras, monitores e algumas famílias acompanharam o cortejo das crianças com tecidos representando o rio São Francisco, levando no colo os bebês que participaram da Ciranda. Tânia Silva, uma das coordenadoras da Ciranda, ressalta a importância da valorização das crianças como parte da nossa sociedade e do CBA que oferece esse suporte e a organização no atendimento às crianças.
“Agradeço a Associação Brasileira de Agroecologia pelo apoio, por viabilizar a construção da Ciranda. Contamos com 10 pessoas na comissão organizadora de diferentes entidades e instituições, foram elas: Universidade do Estado da Bahia (DCH e DTCS III), Universidade Federal do Vale do São Francisco, Movimento dos/as Trabalhadores/as Sem Terras (MST/BA/PE/Nacional), Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada (Irpaa), Secretaria Municipal da Mulher e da Juventude de Juazeiro (BA), Centro de Conservação e Manejo de Fauna da Caatinga (Cema-Fauna) e Movimento dos Pequenos/as Agricultores/as (MAP). Também tivemos a colaboração de 22 educadoras e educadores que acompanharam as crianças e tornaram a Ciranda possível. Agradeço também a confiança das famílias na Ciranda enquanto um lugar seguro de aprendizado e ludicidade, de saberes e fazeres agroecológicos.”
Sobre o Congresso Brasileiro de Agroecologia

Realizado a cada dois anos desde 2003, o Congresso Brasileiro de Agroecologia (CBA) é construído por uma ampla frente de parceiros nacionais e internacionais, configurando-se como o maior encontro latinoamericano de agroecologia.
Mais que um espaço de fortalecimento da agroecologia como ciência, o CBA é um território de diálogo entre diferentes formas de conhecimento, proporcionando legados agroecológicos em todos os territórios por onde ele passa.
Texto: Ana Beatriz Gerolineto