O evento, realizado entre os dias 15 e 18 de outubro de 2025 na cidade de Juazeiro da Bahia, reuniu mais de 6 mil participantes; encerramento do Congresso é marcado por leituras de cartas que serão enviadas à COP-30, que acontece em novembro em Belém

Com a Tenda Catingueira tomada pela energia da Ciranda Infantil Ana Primavesi, as pessoas participantes do 13º Congresso Brasileiro de Agroecologia (CBA) acompanharam a Conferência de Encerramento, que marcou a concretização exitosa desta edição, realizada em Juazeiro (BA), neste sábado (18). O momento, celebrado com músicas, poesias e observações sobre a construção do Congresso, destacou avanços, denúncias e a força que o movimento agroecológico tem consolidado.
A Conferência teve como objetivo sintetizar os principais debates e conclusões do Congresso, e foi conduzida pelas pessoas conferencistas que acompanharam de perto a programação do evento. Dentre elas, Maria Emília Pacheco, da ONG FASE, Fernando Franco, da UFSCAR e da ABA-Agroecologia, Moacir Santos, do IRPAA e da ASA-BA, Maria Tatiane Feijão e Posses, quilombola do Projeto Baraúnas dos Sertões – Juventudes, e Guilherme Delmondes, da Univasf e do Projeto Baraúnas dos Sertões – Juventudes. Entre os pontos importantes, as falas destacaram que o 13º CBA proporcionou espaços diversos de construção coletiva, sendo esse um passo decisivo para semear o futuro do debate agroecológico.
Um evento que é começo-meio-começo






“O CBA não acabou e não vai acabar! Os dias passaram, mas os acordos, combinados e articulações feitas pelos povos do Semiárido, as sementes que surgiram a partir desses espaços e deste território, já estão germinando e gerando frutos”, destacou Guilherme Delmondes.
Outra memória levantada pela mesa foi o protagonismo das mulheres no 13º CBA, ilustrado principalmente pela Plenária das Mulheres. Para Maria Emília Pacheco, essa representatividade expressiva demonstra avanços dentro da construção do Congresso, trazendo luz para discussões incisivas sobre a divisão justa do trabalho doméstico e reforçando a máxima, reverberada em uníssono, de que “sem feminismo não há agroecologia”. Segundo Fernando Franco, a “Plenária foi a reafirmação de uma ciência de luta que apoia as mulheres, sendo elas as principais responsáveis pela efetivação da agroecologia”.
A Conferência de Encerramento trouxe também uma avaliação sobre a programação científica do Congresso. As pessoas ressaltaram que, durante a realização dos painéis, 67 palestrantes de diversas áreas do conhecimento somaram-se à construção coletiva.
O Tapiris dos Saberes também foram um destaque na conversa. O espaço foi responsável por abrigar as apresentações de mais de três mil trabalhos inscritos, entre resumos expandidos, relatos de experiências técnicas e de experiências populares em texto e em vídeo.
As cartas do 13º CBA para a COP 30






O momento do encerramento deste Congresso, que promove o diálogo entre diferentes formas de conhecimento, proporcionando legados agroecológicos em todos os territórios por onde ele passa, foi marcado pela leitura de seis cartas políticas.
Os textos foram lidos durante a plenária final e serão apresentadas na 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP 30), com realização prevista de 10 a 21 de novembro de 2025, em Belém (PA).
As cartas foram elaboradas a partir das discussões coletivas realizadas nos últimos quatro dias sobre os desafios, as propostas e as oportunidades de avanço na luta por justiça climática e soberania alimentar, elucidando as demandas de cada Grupo de Trabalho (GT) presente no Congresso.
Entre as reivindicações apontadas como urgentes, surge a necessidade de avanços nas discussões sobre a demarcação das terras indígenas e a reforma agrária; investimentos estratégicos em ciência e tecnologia em conformidade com o Programa Nacional de Pesquisa e Inovação para a Agricultura Familiar (PNPIAF); banimento dos agrotóxicos; inclusão de pautas de gênero para pessoas transgênero; e denúncias sobre o ataque predatório de empreendimentos às comunidades tradicionais.
O CBA também apresentou uma proposta de Carta Política, reafirmando a força das redes que sustentam o movimento agroecológico no Brasil e trazendo um chamado: “democracia forte é país alimentado”. O documento deixa clara a mensagem de que a agroecologia é o único caminho possível para a produção de alimento saudável, e aliada essencial no enfrentamento à crise do clima e na promoção da justiça social.
Sobre o Congresso Brasileiro de Agroecologia
Realizado a cada dois anos desde 2003, o Congresso Brasileiro de Agroecologia (CBA) é construído por uma ampla frente de parceiros nacionais e internacionais, que trabalham coletivamente por uma ciência pública e cidadã comprometida com a construção dos territórios agroecológicos.
Mais que um espaço de fortalecimento da agroecologia como ciência, o CBA é um território de diálogo entre diferentes formas de conhecimento, proporcionando legados agroecológicos em todos os territórios por onde ele passa.
Nesta 13ª edição, em Juazeiro (BA), o CBA foi realizado pela Associação Brasileira de Agroecologia (ABA), com organização local da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), do Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada (Irpaa), do Serviço de Assessoria a Organizações Populares (Sasop), da Articulação Semiárido Brasieiro (ASA), da Universidade do Estado da Bahia (Uneb de Juazeiro), do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sertão Pernambucano (IFSertãoPE) e Rede de Agroecologia Povos da Mata.
O Congresso contou com patrocínio da Fundação Banco do Brasil e do BNDES e apoio do Governo Federal por meio dos Ministérios da Saúde, Igualdade Racial, Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, e Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e FioTec, e Prefeitura Municipal de Juazeiro; e Governo do Estado da Bahia, por meio do Programa Bahia Sem Fome e Bahia Turismo.
Contou também com a contribuição de representantes de diversas organizações, redes e articulações da sociedade civil, instituições de ensino, movimentos sociais populares e comunidades tradicionais.