Conheça as novidades sobre os Tapiris de Saberes neste 13º CBA em Juazeiro na Bahia

Mulher negra apresenta seu relato de experiência nos Tapiris de Saberes do 12º Congresso Brasileiro de Agroecologia
Realizado em novembro de 2023 no Rio de Janeiro (RJ), o 12º CBA recebeu 2.221 apresentações de resumos e relatos de experiências, e 85 vídeos de relatos de experiências. Foto: Audiovisual Marginal/12º CBA

Para promover caminhos transformadores no sentido da solidariedade, da justiça climática, da soberania alimentar, da economia solidária, e de todos os outros aspectos que definem o Bem Viver, as ciência e as práticas da agroecologia devem caminhar juntas.

É com essa visão que o Congresso Brasileiro de Agroecologia (CBA) atua. O evento, que chega à sua 13ª edição desaguando na cidade de Juazeiro da Bahia, na beira do rio São Francisco, entre os dias 15 e 18 de outubro de 2015, é um convite a pensar na agroecologia enquanto uma ciência do diálogo de saberes.

Os Congressos Brasileiros de Agroecologia reservam, dentro de suas programações, espaços em que pessoas, comunidades e organizações apresentam e debatem suas pesquisas técnico-científicas e relatos de experiências populares e técnicas sobre agroecologia. São os Tapiris de Saberes.

Nessa reportagem, você vai saber detalhes sobre os Tapiris, que tipo de trabalhos serão apresentados nessa edição, e as novidades sobre os eixos temáticos de submissão dos trabalhos.

Os Tapiris de Saberes no CBA do Semiárido

Para esta 13ª edição do CBA, a expectativa é receber em torno de 2 mil pesquisas e relatos, distribuídos em 19 eixos temáticos, para apresentação e debates nos Tapiris de Saberes. Como procedimento padrão do CBA, cada trabalho submetido receberá uma resposta, e as autoras e autores poderão realizar ajustes e submeter o trabalho novamente.

Para avaliar esse volume enorme de relatos de experiências e resumos científicos, foi criado o Comitê Técnico-Científico do 13º CBA, composto por mestras e mestres que estudam a agroecologia em diferentes áreas do conhecimento.

As inscrições de avaliadoras e avaliadores dos trabalhos que serão apresentados nesta edição do CBA foi um sucesso. Entre os dias 10 e 26 de junho, recebemos 1433 candidaturas para o Comitê Técnico-Científico. Dessas, 559 pessoas foram selecionadas

para o Comitê, uma das equipes que compõem a Comissão Saberes e Conhecimentos Técnico-Científicos do 13º CBA. No total, até o momento, a Comissão tem 635 integrantes. As mestras e mestres participaram de treinamentos sobre os padrões de avaliação do CBA e já começaram a enviar seus pareceres.

Vale lembrar dois detalhes:

  1. Os trabalhos estão sendo avaliados por ordem de chegada. Quanto antes você submeter o seu trabalho, mais cedo receberá a devolutiva do Comité Técnico-Científico;
  2. O envio dos trabalhos deve ser feito por meio de um arquivo editável, como .doc, .docx, ou .odt, e não em PDF.

O lema do 13º CBA e sua relação com os Tapiris de Saberes

O lema “Agroecologia, Convivência com os Territórios Brasileiros e Justiça Climática”, deste primeira edição do Congresso Brasileiro de Agroecologia no Semiárido, traz para a centralidade o debate dos aprendizados em torno das contribuições da agroecologia para as adaptações, o enfrentamento às mudanças climáticas e a promoção da justiça climática nos territórios brasileiros.

Essa centralidade deve ficar bem evidente nos Tapiris de Saberes. Marcio Harrison dos Santos Ferreira, presidente da Comissão Saberes e Conhecimentos Técnico-Científicos do 13º CBA, professor no Instituto Federal do Piauí (IFPI) e representante Nordeste da Sociedade Brasileira de Etnobiologia e Etnoecologia (SBEE), comenta que o lema “convida a apresentar trabalhos que discutam como a produção da ciência, construída desde a academia, em uma articulação profunda com os conhecimentos tecidos cotidianamente nos territórios, deva ser uma aliada do enfrentamento à fome, às crises climáticas e a qualquer desigualdade, seja ela racial, de gênero ou de classe.”

Os novos eixos temáticos dos Tapiris de Saberes do 13º CBA

Além de incentivar a submissão de trabalhos que conversem com o lema do Congresso, Marcio traz outra questão importante: muitas vezes as pesquisas e experiências não se limitam a um único espaço de discussão. “A ciência que defendemos, assim como as muitas agriculturas, é plural, cheia de diversidade e parte das transformações sociais e ecológicas que queremos ver”, diz o presidente da Comissão Saberes e Conhecimentos Técnico-Científicos.

Por isso, ele recomenda que “as pessoas que irão submeter trabalhos naveguem em mais de um eixo temático, localizando a temática e a discussão principal do trabalho a ser submetido, buscando identificar e compreender qual o debate principal que seu trabalho está propondo, para então submetê-lo ao eixo que melhor se enquadre.” 

O CBA 2025 tem 19 eixos temáticos, três a mais do que o 12º CBA, realizado em novembro de 2023 no Rio de Janeiro (RJ). Os três novos eixos são Transições agroecológicas para a convivência nos territórios; Inovações camponesas e tecnologias sociais promovendo agroecologia; e Animais na agroecologia.

O eixo 17: Transições agroecológicas para a convivência nos territórios

De acordo com Marcio, a criação do eixo “Transições agroecológicas para a convivência nos territórios”, que conversa com o lema do 13º CBA, emerge a partir de uma necessidade antiga, identificada nos debates do 11º CBA realizado em Aracaju (SE), em novembro de 2019.

“O objetivo desse eixo é evidenciar um conjunto crescente de experiências e práticas, conhecimentos e saberes, além de inovações sociotécnicas direcionadas aos processos de transições agroecológicas que estão se consolidando na perspectiva da convivência das pessoas com os distintos biomas e territórios brasileiros”, comenta. 

Ele destaca as atuações de organizações como a Articulação Semiárido Brasileiro (ASA) e o Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada (Irpaa), que possuem em seus portfólios exemplos e inspirações para a convivência com o Semiárido brasileiro.

Nesse eixo, portanto, poderão ser apresentados trabalhos que exponham concepções, abordagens, métodos e indicadores para avaliação e monitoramento da transição agroecológica, desde a pequena escala até o sistema agroalimentar global, e também trabalhos que relatem experiências de iniciativas em diferentes linearidades, escalas e temporalidades.

Novos eixos dos Tapiris vão discutir inovações e animais

O eixo 18, “Inovações camponesas e tecnologias sociais promovendo agroecologia”, vai fazer a sua estreia no 13º CBA. Sua criação partiu da necessidade de separar um Tapiri de Saberes para apresentações de trabalhos e relatos de experiências sobre o assunto. O eixo é “parente” do Terreiro das Inovações Camponesas, outro espaço do CBA que funciona como uma feira de tecnologias agroecológicas.

E a última novidade, o eixo 19, “Animais na agroecologia”, foi criado porque a Comissão Saberes e Conhecimentos Técnico-Científicos do 13º CBA identificou a importância de um eixo exclusivo para o debate sobre o componente animal nos agroecossistemas. 

“Antes, esse tema ficava “pulverizado” em eixos como “Biodiversidade e conhecimentos tradicionais” ou “Manejo de agroecossistemas”. Assim, neste 13º CBA os trabalhos aprovados no eixo 19 irão tratar da criação de animais em sistemas de base agroecológica, orgânica e regenerativa, com a finalidade de produzir alimentos, reciclar a biomassa, manejar matéria orgânica, realizar polinização de plantas e gerar serviços ecossistêmicos”, explica Marcio, presidente da Comissão.

O eixo 19 também abrigará debates sobre a qualidade dos alimentos de origem animal produzidos em sistemas de base agroecológica, e a importância deles para a segurança e soberania alimentar.

Eixo sobre mudanças climáticas tem novo nome

Seguindo a pauta prioritária do lema do 13º CBA, o nome do eixo 8, sobre mudanças climáticas e agroecologia mudou de nome. No 12º, ele era chamado “Crise ecológica e mudança climática: resistências e impactos na agricultura, nas águas e nos bens comuns”. No 13º, ele passa a se chamar “Justiça climática, agroecologia e transformação dos sistemas agroalimentares”.

De acordo com Marcio, “a alteração do nome deste eixo se deve diante da necessidade de incorporar e difundir, mais amplamente, o crescente debate sobre justiça climática, já que o novo regime climático está profundamente conectado aos sistemas agroalimentares, especialmente quanto à contribuição da agricultura, da pecuária e das mudanças no uso da terra para a transformação do clima”. 

Ele cita um exemplo: cerca de 22% da emissão dos gases de efeito estufa (GEE) são oriundos de práticas agrícolas. Entretanto, no Brasil, o agronegócio é responsável pela emissão de 70% dos GEE. 

“Por isso, tivemos a ideia de não somente discutir a crise climática, mas sobretudo avançar na discussão da justiça climática, nos impactos da transição agroecológica na agricultura, nas águas, nos bens comuns e, consequentemente, nos modos de vida e sistemas produtivos dos povos e comunidades tradicionais do campo, das águas e das florestas”, complementa. 

Como serão os trabalhos apresentados nos Tapiris de Saberes?

Seguindo os acúmulos dos CBAs anteriores, nesta edição poderão ser apresentados trabalhos nas seguintes modalidades:

  • Resumos técnico-científicos expandidos;
  • Relatos de experiências técnicas;
  • Relatos de experiências populares (nessa modalidade, os relatos podem ser em formato de vídeos).

Os textos dos resumos submetidos, aceitos e apresentados no 13º CBA serão publicados nos anais da revista Cadernos de Agroecologia, da ABA-Agroecologia, e os vídeos publicados no YouTube da ABA-Agroecologia.

O período de submissões de trabalhos para o 13º Congresso Brasileiro de Agroecologia (CBA) vai até 15 de agosto.

Saiba mais

Sobre o 13º Congresso Brasileiro de Agroecologia

Desde 2003, o Congresso Brasileiro de Agroecologia (CBA) é realizado bianualmente com participação ampla de instituições de ensino, pesquisa e extensão, da sociedade civil organizada e de movimentos sociais rurais e urbanos envolvidos com as agriculturas de base familiar, camponesa e urbana. Inicialmente pensado como espaço de fortalecimento da agroecologia como ciência, o CBA vem amadurecendo como lócus do diálogo entre as diferentes formas de conhecimento, construído por uma ampla frente de parceiros nacionais e internacionais, configurando-se atualmente como o maior encontro latinoamericano de agroecologia. 

Com o lema “Agroecologia, Convivência com os Territórios Brasileiros e Justiça Climática”, a 13ª edição do CBA acontece dos dias 15 a 18 de outubro de 2025, no campus da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), em Juazeiro (BA).

Em 2025, o Congresso está sendo realizado pela Associação Brasileira de Agroecologia (ABA), com organização local da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), do Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada (Irpaa), do Serviço de Assessoria a Organizações Populares (Sasop), da Articulação Semiárido Brasileiro (ASA), da Universidade do Estado da Bahia (Uneb de Juazeiro), do Movimento dos Pequenos e Pequenas Agricultoras (MPA), da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), e do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sertão Pernambucano (IFSertãoPE). Conta também com a contribuição de representantes de diversas organizações, redes e articulações da sociedade civil, instituições de ensino, movimentos sociais populares, poder público e comunidades tradicionais.

Ludmilla Balduino
Comunicação da ABA-Agroecologia

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