Conheça o trabalho da equipe de facilitação gráfica no 13º Congresso Brasileiro de Agroecologia

O 13º Congresso Brasileiro de Agroecologia (CBA), realizado em Juazeiro da Bahia, entre os dias 15 e 18 de outubro de 2025, não foi apenas um espaço de intenso diálogo e construção de conhecimento, mas também uma galeria viva de ideias! As ricas discussões do evento ganharam cores, formas e símbolos através da facilitação gráfica, transformando a escuta ativa em memória coletiva.

O que é facilitação gráfica?

A facilitação gráfica é muito mais do que “desenhar bonito”. É uma poderosa ferramenta de escuta e tradução visual que ocorre em tempo real durante eventos, reuniões e processos participativos. No CBA, enquanto as conferências, os relatos de experiências, as aulas e os painéis aconteciam, uma pessoa especialista em facilitação gráfica captava as mensagens e as reações do público, criando um painel desenhado à mão, que traz uma síntese dos temas discutidos em cada evento. A facilitação gráfica ajuda as pessoas participantes a visualizar o que está sendo construído em conjunto, promovendo:

  • Compreensão mútua;
  • Engajamento imediato;
  • Memória estratégica e simbólica.

No 13º CBA, essa arte de “dar sentido visual ao que está vivo na conversa” transformou um dos corredores do campus Juazeiro da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf) em “corredor de memórias vivas“, e enriqueceu a cenografia do Congresso.

O corredor de memórias vivas do 13º CBA

Em 2025, a criação desse corredor foi pensada para se integrar ao processo criativo e à memória viva que permeia o Congresso Brasileiro de Agroecologia. O objetivo foi conferir mais importância e gerar um bom impacto visual sobre as nossas jornadas enquanto movimento agroecológico.

Materializar essas memórias em registros visuais e fotografias conectou as pessoas a um propósito maior: o de vivenciar e ser agroecologia. A busca era por criar nas pessoas participantes a sensação de pertencimento a essa construção, dando um novo sentido às lutas em prol de nossas causas em comum.

Materializar essas memórias em registros visuais e fotografias foi como um convite ao encantamento, à identificação, ao pertencimento, a novas assimilações e novos encontros. 

Uma formação viva em facilitação gráfica

O processo de facilitação gráfica no 13º CBA teve um significado especial, pois fez parte de um projeto de extensão e formação contínua. A iniciativa foi resultado de um projeto de extensão coordenado pela professora e coordenadora da Liga Acadêmica de Ilustração Científica (LAIC) da UNIVASF, Cristiane Dacanal, em parceria com a engenheira agrônoma e facilitadora gráfica Priscila Machado, e a professora responsável pela disciplina de agroecologia da UNIVASF, Viviane dos Santos. O projeto contou com a participação de 10 pessoas voluntárias da LAIC, além de duas convidadas de destaque na área da facilitação gráfica: Muriel Duarte e Raissa Theberge.

Entre maio e outubro de 2025, o time de pessoas voluntárias participou de oficinas preparatórias, realizadas em formato online e presencial. O ponto culminante desse processo formativo foi o registro ao vivo das principais rodas de conversa e painéis do 13º CBA, onde os voluntários puderam formar equipes com profissionais experientes em facilitação gráfica, em um processo rico em compartilhamento de olhares, habilidades e aprendizados.

Facilitação gráfica constrói diálogos

Uma das voluntárias da Liga Acadêmica e estudante de agronomia da Univasf, Poliana Pereira, compartilhou seu maior desafio: “foi uma grande responsabilidade representar graficamente o que estava sendo dito. Precisamos traduzir ideias complexas de forma simples, para que as pessoas se reconheçam nos painéis. Como futura professora, vejo na facilitação gráfica uma ferramenta incrível para construir diálogos mais acessíveis.”

O grupo da LAIC se destacou pela interdisciplinaridade: estudantes com experiências na agroecologia trabalharam lado a lado com artistas visuais, combinando sistematização de ideias e expressividade estética.

A artista visual e pós-graduanda em Artes Visuais, Ariel Farfan, explicou como essa convergência de áreas de conhecimento ampliou o impacto dos registros: “minha pesquisa sobre arte de rua, o chamado artivismo, me ajudou a compreender a facilitação gráfica como uma ‘arte direta’. Ela tem a força de provocar reflexão sobre os corpos, os territórios e as lutas sociais, assim como o muralismo nas cidades. No CBA, foi um processo de arte e resistência.”

Ariel destacou que a arte não encerra um debate, mas mantém viva a discussão e fortalece as lutas coletivas: “a obra é caminho e continuidade. É uma forma visceral de manter o diálogo em movimento.”

A formação que transforma 

Para a professora Cristiane Dacanal, a experiência formativa vai muito além do evento. “A formação de uma equipe de facilitação gráfica, por meio de um projeto de extensão na UNIVASF, atende a uma demanda regional: a de dialogar com simplicidade com mulheres, pessoas produtoras, camponesas, jovens e comunidades tradicionais, utilizando uma linguagem acessível a todas e todos.”

De acordo com ela, estudantes e colaboradores que participaram do processo formativo que culminou no CBA agora empenham-se em disseminar a agroecologia.

“Todos estão mais fortes e confiantes. Com um propósito, nossa caminhada se torna plena. Estamos prontos para atuar junto às comunidades, escolas e nos próximos eventos agroecológicos!”

O depoimento da professora reforça o caráter transformador e multiplicador da formação, que se desdobra para além do Congresso, fortalecendo a comunicação agroecológica como prática educativa e social.

Confira a colheita visual do 13º CBA

Os painéis de facilitação gráfica produzidos durante o Congresso são uma verdadeira riqueza visual, preservando de forma artística e acessível os debates centrais do evento.

A equipe responsável pela colheita visual foi composta pelas profissionais Raissa Theberge, Muriel Duarte e Jacqueline Aldabalde, juntamente com os(as) voluntários(as) Poliana Pereira, Ariel Farfan, Jozias Ribeiro, Nadja Farfan, Gabriel Farfan, Guilherme Delmondes, Cristiane Dacanal, Viviane Nunes e Edilton dos Santos.

Confira abaixo o registro completo da Colheita Visual do 13º CBA e faça o download dos painéis. Um convite para revisitar e celebrar as memórias vivas da agroecologia.

Painel 1 – Cultivando a Diversidade e territorializando o sistema agroalimentar: nos roçados e nas cozinhas, comida de verdade
Local: Tenda Caatingueira
Autoria: Nadja Farfan, Poliana Pereira, Guilherme Delmondes

Painel 2 – Agroecologia, Biodiversidade e Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional: Um olhar a partir das Políticas Públicas
Local: Auditório Central Umbuzeiro
Autoria: Ariel Farfan, Raissa Theberge e Viviane Nunes dos Santos

Painel 3 – Cultivar e Proteger a Diversidade do Sistema Agroalimentar
Local: Mezanino Umbuzeiro
Autoria: Jacqueline Aldabalde, Josias Ribeiro e Cristiane Dacanal

Painel 5 – Problematizando os nexos entre crise climática e a atual conformação do sistema agroalimentar: um olhar a partir do Brasil
Local: Tenda Caatingueira
Autoria: Raissa Theberge

Painel 6 – Interculturalidade e produção de conhecimentos em tempos de crise: um olhar sobre iniciativas territorializadas de pesquisa em agroecologia
Varal 1 | Varal 2 | Varal 3 | Varal 4
Local: Auditório Central Umbuzeiro
Autoria: Muriel Duarte e Edilton José de Lima

Painel 7 – Sistemas produtivos agroecológicos em tempos de crise climática: potencialidades e desafios
Local: Barracão dos Povos Indígenas Elisa Pankararu.
Autoria: Jacqueline Aldabalde e Guilherme Delmondes

Painel 8 – Políticas de inovação, ciência e tecnologia voltadas à promoção da agroecologia
Autoria: Poliana Pereira, Jozias Ribeiro, Ariel Farfan e Nadja Farfan

Roda de conversa – Medicinas Indígenas: Práticas de Saúde e Cura
Local: Barracão dos Povos Indígenas Elisa Pankararu.
Autoria: Ariel Farfan e Gabriel Farfan

Roda de conversa – Agroecologia, Política Nacional de Gestão Ambiental e Territorial (PNGATI), Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE ) e Programa de Aquisição de Alimentos (PAA Indígena)
Local: Barracão dos Povos Indígenas Elisa Pankararu.
Autoria: Ariel Farfan e Gabriel Farfan

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