Feira Saberes e Sabores da Economia Solidária e da Agroecologia agrega mais diversidade ao 13° CBA

De 15 a 18 de outubro, durante o 13º Congresso Brasileiro de Agroecologia (CBA) em Juazeiro (BA), acontece a Feira Saberes e Sabores da Economia Solidária e da Agroecologia. A iniciativa é um dos destaques da programação do CBA e celebra a diversidade que a agroecologia pode produzir com a presença de mais de 120 expositoras(es). Ao circular pelo espaço é possível encontrar produtos alimentares, de beleza, artesanatos, para a saúde e insumos para o cultivo agroecológico.

Stand do MPA

Foto: Nieves Rodrigues/CBA

Líria Aquino, da coordenação nacional do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), aponta a importância do espaço no fortalecimento de iniciativas produtivas nos territórios, como também para as trocas de saberes. 

“Esse processo fortalece as feiras, que é algo nosso do povo brasileiro, e também possibilita o entrelaço com outras organizações, agricultoras/es e camponesas/es do Brasil. Além disso, nos permite consorciar os nossos afazeres e a prática cotidiana com as questões teóricas que a universidade traz. Então, além das vendas, podemos assimilar e levar para a nossa base alguns entendimentos que são importantes, como as tecnologias sociais.”

Líria ressaltou ainda a importância das sementes crioulas no debate da agroecologia como um todo.  “Todas as barracas do MPA trazem a centralidade das sementes, que dão origem a uma alimentação saudável. Sem as sementes crioulas, a gente não tem uma produção 100% agroecológica e saudável.”

MST oferece mudas para reflorestamento

Já Adailton Souza Santos, do acampamento Terra Nossa do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), no município de Juazeiro, região do Salitre, coordena a barraca com mudas de árvores nativas e agricultáveis. O agricultor comenta sobre o processo de resistência no território e o objetivo da produção nos viveiros. 

Stand MST

Foto: Nieves Rodrigues/CBA

“Essas mudas são produzidas no nosso acampamento. A maioria são frutíferas e outras são nativas, como o pau-ferro, o juá e a jurema preta. O MST tem essa preocupação com produção de mudas agroecológicas e, mais ainda, com o reflorestamento. Está em nossa pauta produzir mudas e plantar um milhão de árvores por ano”, ressalta. 

O MST já plantou 45 milhões de árvores em cinco anos e mira 100 milhões até 2030. O objetivo é  fortalecer a produção de alimentos saudáveis nos  assentamentos e acampamentos, e denunciar o modelo destrutivo do agronegócio e seus impactos ao meio ambiente, uma vez que se compreende que a questão ambiental está diretamente relacionada com a reforma agrária.

Um exemplo local: conheça o Cesol

A Feira Saberes e Sabores é uma verdadeira amostra do que a agricultura familiar e a economia solidária produzem em todo o Brasil e tem a participação de coletivos, associações e cooperativas de diversas regiões e povos, formando um grande mosaico produtivo.

Stand Cesol

Foto: Nieves Rodrigues/CBA

É o caso do Centro Público de Economia Solidária (Cesol), uma iniciativa de caráter comunitário voltada para a articulação de oportunidades em geração de renda, fortalecimento e promoção do trabalho coletivo, baseado na economia solidária.

Ariane Ribeiro, da equipe de comercialização do Cesol, ressalta a importância de participar de espaços como esse, pois fortalece a iniciativa realizada na Bahia. “A gente vem representando os empreendimentos que fazem parte da nossa rede. Em nossa barraca você encontra produtos de várias regiões de empreendimentos econômicos solidários tais como cooperativas, grupos familiares e associações.”

Quando os saberes encontram a diversidade

No âmbito dos saberes, encontramos a barraca  da editora Expressão Popular, que historicamente fortalece a elaboração e a difusão do conhecimento em torno da Agroecologia. Thiago Mangini, da coordenação da editora, aponta que a participação neste espaço vai além das vendas. “Aqui se concretiza uma das missões da editora, que é fazer o pensamento de esquerda,  voltado à agroecologia, circular de forma acessível para as pessoas. E esse é um espaço privilegiado para nós, porque justamente é o momento que durante o ano, se juntam as pessoas que estão pesquisando, estudando, e as que estão fazendo agroecologia na prática em diferentes territórios do Brasil.”

Stand Expressao Popular

Foto: Nieves Rodrigues/CBA

Fernanda Nunes, estudante de agronomia da Universidade Federal de Pernambuco e bolsista do Projeto Jandaíras, trabalha com povos e comunidades tradicionais do nordeste e norte de Minas Gerais, e comenta: “São 37 grupos produtivos de mulheres, entre elas quilombolas, pescadoras, marisqueiras, indígenas, de terreiro, ciganas, quebradeiras de coco e catingueiras também. Estamos trazendo para a Feira as representantes de todos esses grupos, que produzem  não-perecíveis como colares, artesanatos, produtos oriundos de mel de abelha, entre outros. Esse é um espaço que ajuda a divulgar as produções e promover a troca de experiências com grupos de outras regiões, enriquecendo iniciativas, principalmente as da juventude.” 

O projeto integra o Núcleo JUREMA Feminismos, Agroecologia e Ruralidades da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), que busca ampliar e fortalecer o campo teórico e prático, com  ênfase  em  sociologia  rural,  gênero,  feminismo  e agroecologia, e é coordenado por Laeticia Medeiros Jalil, Professora de sociologia na Universidade Federal  Rural  de  Pernambuco (UFRPE). 

A Feira conta ainda com um espaço para exposição de arte indígena, convergindo os saberes tradicionais com as tecnologias na produção e reprodução da vida.

Sobre o Congresso Brasileiro de Agroecologia

Realizado a cada dois anos desde 2003, o Congresso Brasileiro de Agroecologia (CBA) é construído por uma ampla frente de parceiros nacionais e internacionais, configurando-se como o maior encontro latinoamericano de agroecologia.

Mais que um espaço de fortalecimento da agroecologia como ciência, o CBA é um território de diálogo entre diferentes formas de conhecimento, proporcionando legados agroecológicos em todos os territórios por onde ele passa.

Texto: Iris Pacheco

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