Participantes do Congresso Brasileiro de Agroecologia ocuparam a Nova Orla de Juazeiro na Bahia com manifestações a favor do Bem Viver, da alimentação saudável, da vida digna e da justiça climática.

Foto: Manuela Cavadas/CBA
A 13ª edição do Congresso Brasileiro de Agroecologia (CBA) reuniu mais de 5 mil pessoas inscritas de diferentes territórios brasileiros, e grande parte delas saiu às ruas de Juazeiro na Bahia em um ato pela agroecologia na tarde desta quinta-feira (16). Estiveram presentes figuras políticas, instituições que apoiam a agricultura familiar, representantes de comunidades tradicionais, de movimentos sociais, agricultoras e agricultores familiares, pessoas indígenas, crianças, e idosas, além de pessoas pesquisadoras e estudantes de diferentes origens.
O presidente da Associação Brasileira de Agroecologia (ABA-Agroecologia), José Nunes, destacou em seu discurso a importância de instituições acadêmicas, centros de pesquisa, Embrapa, universidades públicas, governos, movimentos sociais e agricultoras(es) para o fortalecimento da agroecologia no país. Ele também ressaltou o diálogo e a valorização que o Congresso promove sobre os diferentes tipos de ciência.
“Não tem só uma ciência acadêmica, tem ciências. Tem a ciência dos indígenas, dos quilombolas, das marisqueiras, das catadoras de mangaba, a ciência acadêmica. Todas elas têm método, têm referência.”
Ato defendeu políticas públicas atuais e futuras
Além de todo o debate acerca da necessidade da construção de uma sociedade mais justa, com soberania alimentar, o ato também foi palco de anúncios importantes para o fortalecimento da agroecologia.

Foto: Manuela Cavadas/CBA
O governador do estado da Bahia, Jerônimo Rodrigues, revelou que gostaria de levar um documento à COP-30, em novembro, em defesa da criação de um fundo para a Caatinga.
“Nós queremos que seja garantido o orçamento para o Fundo Amazônia, mas que o Cerrado, a Caatinga, e a região litorânea também tenham seus direitos.”

Foto: Manuela Cavadas/CBA
O ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), Paulo Teixeira, também anunciou a abertura de editais do programa Da Terra à Mesa, que prevê investimento de R$ 160 milhões para 45 projetos, visando fortalecer a agricultura familiar e a transição agroecológica. Também assinou o contrato para o Pronaf Agroecologia e a retomada do Programa de Fortalecimento e Ampliação das Redes de Agroecologia, Extrativismo e Produção Orgânica (Ecoforte), com recursos destinados pela Fundação BB, Fundo Socioambiental do BNDES e do Fundo Amazônia.
Durante a cerimônia, também foram divulgadas as marcas de R$ 860 milhões investidos no Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), em 2025, e a entrega de 100 mil tecnologias sociais de acesso à água desde 2023. Os números foram celebrados pelo ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), Wellington Dias, ao lado dos ministros Márcio Macedo, da Secretaria-Geral da Presidência da República, Paulo Teixeira (MDA), do presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Edegar Pretto, do governador Jerônimo Rodrigues e do prefeito de Juazeiro (BA), Andrei Gonçalves.
“Juntos tiramos o Brasil do Mapa da Fome. Agora, o compromisso é tirar a fome do mapa do Brasil”, afirmou o ministro Wellington Dias.
O ato também foi permeado por expressões culturais e manifestações pela eforma agrária popular e pela soberania nacional.



Fotos 1 e 3 – Manuela Cavadas/CBA. Foto 2 – Karen Lima/CBA.
Sobre o Congresso Brasileiro de Agroecologia
Realizado a cada dois anos desde 2003, o Congresso Brasileiro de Agroecologia (CBA) é construído por uma ampla frente de parceiros nacionais e internacionais, configurando-se como o maior encontro latinoamericano de agroecologia.
Mais que um espaço de fortalecimento da agroecologia como ciência, o CBA é um território de diálogo entre diferentes formas de conhecimento, proporcionando legados agroecológicos em todos os territórios por onde ele passa.

Foto: Manuela Cavadas/CBA
Nesta 13ª edição, em Juazeiro (BA), o CBA é realizado pela Associação Brasileira de Agroecologia (ABA), com organização local da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), do Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada (Irpaa), do Serviço de Assessoria a Organizações Populares (Sasop), da Articulação Semiárido Brasileiro (ASA), da Universidade do Estado da Bahia (Uneb de Juazeiro), do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), do Movimento dos Pequenos e Pequenas Agricultoras (MPA), da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sertão Pernambucano (IFSertãoPE) e Rede de Agroecologia Povos da Mata.
O Congresso conta com patrocínio da Fundação Banco do Brasil e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e apoio do Governo Federal por meio dos Ministérios da Saúde, Igualdade Racial, Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, e Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e FioTec, e Prefeitura Municipal de Juazeiro; e Governo do Estado da Bahia, por meio do Programa Bahia sem Fome e Bahia Turismo.
Conta também com a contribuição de representantes de diversas organizações, redes e articulações da sociedade civil, instituições de ensino, movimentos sociais populares e comunidades tradicionais.