
O auditório central da Univasf ficou em silêncio antes da primeira salva de palmas. Quando Tatiana Sá subiu ao palco, o silêncio virou celebração. De pé, a plateia aplaudiu longamente a pesquisadora da Embrapa Amazônia Oriental, pioneira na alta gestão da instituição. A palavra escolhida para ela foi “Puxirum” — palavra indígena que significa mutirão, ou seja, trabalho coletivo. Tatiana foi pioneira: rompeu fronteiras ao ocupar espaços onde mulheres ainda eram raras, estudou fora do país com os filhos pequenos e segue desafiando o modo de fazer ciência, na ABA-Agroecologia, na COP e nas comunidades amazônicas.
Na sequência, o público ovacionou Sebastião Pinheiro, chamado ao palco sob a palavra “Solo Vivo”. Engenheiro agrônomo, pesquisador e educador popular, Sebastião é referência na introdução da agroecologia e da agricultura orgânica no Brasil. Sua fala lembrou que o solo vivo é onde tudo acontece — espaço de vida, de trocas e de resistência. O professor foi aplaudido de pé, num gesto coletivo de reconhecimento a quem semeia conhecimento e mobiliza gerações.
A homenagem seguiu com emoção. Ana Rosa Tendler subiu ao palco para representar o pai, Silvio Tendler, falecido recentemente. Chorando, recebeu o carinho de um auditório lotado que aplaudiu por mais de cinco minutos. A palavra dedicada a ele foi “Semente”. Cineasta, professor e documentarista, Silvio produziu mais de 70 filmes sobre lutas sociais, incluindo “O Veneno Está na Mesa”, obra que segue inspirando educadores e movimentos populares. Em coro, o público gritou: “Silvio Tendler, presente!”
A última homenagem foi para Naidison de Quintela Baptista, educador e referência do semiárido brasileiro. Para ele, a palavra foi “Semiárido”, símbolo de resistência e sabedoria. Fundador do Movimento de Organização Comunitária (MOC), Naidison tem mais de 20 anos dedicados à educação popular e à construção da convivência com o clima do sertão. A plateia respondeu em coro: “É no Semiárido que a vida pulsa, é no Semiárido que o povo resiste.”
Entre aplausos e lágrimas, a noite de sexta-feira, 17 de outubro, se tornou um marco do 13º Congresso Brasileiro de Agroecologia. Quatro trajetórias — Sumaúma, Solo Vivo, Semente e Semiárido — reafirmaram que a agroecologia é feita de pessoas que semeiam coragem, constroem pontes e cultivam futuro.
As homenagens foram realizadas durante a Assembleia da ABA-Agroecologia, que definiu em coletivo os rumos para os próximos dois anos. Saiba mais!
Sobre o Congresso Brasileiro de Agroecologia
Realizado a cada dois anos desde 2003, o Congresso Brasileiro de Agroecologia (CBA) é construído por uma ampla frente de parceiros nacionais e internacionais, configurando-se como o maior encontro latinoamericano de agroecologia.
Mais que um espaço de fortalecimento da agroecologia como ciência, o CBA é um território de diálogo entre diferentes formas de conhecimento, proporcionando legados agroecológicos em todos os territórios por onde ele passa.