Plenária das Mulheres no 13º CBA debate a importância delas na luta por justiça climática nos territórios

Na tarde desta quarta-feira (15), a Plenária das Mulheres no 13º Congresso Brasileiro de Agroecologia (CBA) reuniu mais de 600 pessoas de vários cantos do país para refletir sobre o papel delas frente aos desafios por justiça climática e pela valorização dos territórios brasileiros. 

A Plenária das Mulheres reuniu mais de 600 pessoas para debater o papel delas no enfrentamento dos desafios impostos pelas mudanças climáticas. Foto: Allison Chaves/CBA

A Plenária das Mulheres reuniu mais de 600 pessoas para debater o papel delas no enfrentamento dos desafios impostos pelas mudanças climáticas. Foto: Allison Chaves/CBA

A partir da temática “Feministas da Agroecologia na Luta por Justiça Climática, Contra o Racismo Ambiental e por Convivência com os Territórios”, a atividade demarcou o lema: Sem feminismo, não há agroecologia! 

“Este é um espaço de encontro entre as mulheres, onde elas podem compartilhar tanto os desafios que elas têm dentro do território, os impactos, mas também as resistências que elas têm construído frente a todo esse processo de invasão dos grandes projetos, de contaminação pelos agrotóxicos e pelos transgênicos”, explicou Sarah Luísa, do Grupo de Trabalho (GT) Mulheres da Articulação Nacional de Agroecologia, responsável pela condução da Plenária.

Diversidade em diálogo

Tradicionalmente, a Plenária das Mulheres é um dos eventos do CBA com a maior participação ativa de pessoas; são as mulheres em ação pela agroecologia e no enfrentamento as mudanças climáticas. Foto: Allison Chaves/CBA

Durante as discussões, representantes de redes e movimentos de agricultoras, experimentadoras, pescadoras e das comunidades tradicionais relataram como a agroecologia e a convivência das pessoas com  os ecossistemas fazem parte das suas práticas cotidianas de manejo e conservação.

“Somos nós mulheres que estamos lá na linha de frente, defendendo o território, cuidando da casa, abrindo o caminho para a produção, a criação e a alimentação da família”, destacou Gizeli Maria, da Rede de Mulher do Território Sertão do São Francisco.

As mulheres também denunciaram o racismo ambiental e o corte de direitos vivenciados nos territórios, uma realidade que ameaça a vida nas comunidades rurais. “Nós dos povos de terreiro sempre estivemos realizando práticas agroecológicas. Viemos resistindo desde muito tempo e continuamos na resistência, sofrendo perseguição”, afirmou Ioná Pereira da Silva, representantes dos Povos de Terreiro, de Juazeiro (BA). 

Sobre o Congresso Brasileiro de Agroecologia

Realizado a cada dois anos desde 2003, o Congresso Brasileiro de Agroecologia (CBA) é construído por uma ampla frente de parceiros nacionais e internacionais, configurando-se como o maior encontro latinoamericano de agroecologia.

Mais que um espaço de fortalecimento da agroecologia como ciência, o CBA é um território de diálogo entre diferentes formas de conhecimento, proporcionando legados agroecológicos em todos os territórios por onde ele passa.

Nesta 13ª edição, em Juazeiro (BA), o CBA é realizado pela Associação Brasileira de Agroecologia (ABA), com organização local da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), do Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada (Irpaa), do Serviço de Assessoria a Organizações Populares (Sasop), da Articulação Semiárido Brasileiro (ASA), da Universidade do Estado da Bahia (Uneb de Juazeiro), do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), do Movimento dos Pequenos e Pequenas Agricultoras (MPA), da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sertão Pernambucano (IFSertãoPE) e Rede de Agroecologia Povos da Mata.

O Congresso conta com patrocínio da Fundação Banco do Brasil e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e apoio do Governo Federal por meio dos Ministérios da Saúde, Igualdade Racial, Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, e Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e FioTec, e Prefeitura Municipal de Juazeiro; e Governo do Estado da Bahia, por meio do Programa Bahia sem Fome e Bahia Turismo.

Conta também com a contribuição de representantes de diversas organizações, redes e articulações da sociedade civil, instituições de ensino, movimentos sociais populares e comunidades tradicionais.

Texto: Dani Guerra

Compartilha nas mídias:

Faça o seu comentário:

Tem dúvidas sobre o CBA?

Acesse aqui várias dicas no nosso FAQ